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NOTA PÚBLICA Ao jornalista Eduardo Oinegue

O Sindicato dos Empregados em Informática e Tecnologia da Informação do Paraná (SINDPR-PR) manifesta preocupação com as declarações recentes do jornalista Eduardo Oinegue em defesa da privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná.
É legítimo que qualquer profissional de imprensa tenha opinião sobre temas de interesse público. O que não parece compatível com o papel do jornalismo é reproduzir, sem o devido contraponto, argumentos oficiais de um governo quando existem documentos públicos, decisões judiciais, investigações e manifestações de órgãos de controle que demonstram que o debate está longe de ser tão simples quanto se pretende apresentar.
A narrativa de que a CELEPAR estaria tecnologicamente ultrapassada, por exemplo, contrasta com fatos públicos. A própria companhia foi reconhecida internacionalmente por sua atuação em inteligência artificial, infraestrutura de alta performance e processamento seguro de dados sensíveis, sendo apresentada como caso de sucesso em estudo publicado por uma empresa de referência mundial em tecnologia. Ao mesmo tempo, a estatal opera sistemas críticos para o Estado, utilizando tecnologias modernas de biometria, autenticação digital e integração de bases governamentais.
Também não corresponde à realidade afirmar que apenas sindicatos ou interesses corporativos se opõem à privatização. O processo de desestatização vem sendo acompanhado por diversos órgãos de controle e fiscalização. No Tribunal de Contas do Estado do Paraná tramitam dois processos específicos sobre a privatização da CELEPAR, nos quais auditorias e análises técnicas apontaram uma série de inconsistências e irregularidades que motivaram diligências, recomendações e o aprofundamento da fiscalização sobre a condução do processo. Paralelamente, o Ministério Público do Paraná instaurou Inquérito Civil para apurar aspectos relacionados à desestatização, demonstrando que os questionamentos ultrapassam o campo político e sindical e alcançam a esfera institucional.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal analisa a matéria no âmbito da ADI 7896, que trata de questões relacionadas à proteção de dados, à segurança das informações públicas e aos limites constitucionais da transferência de uma empresa estratégica de tecnologia para a iniciativa privada. Ou seja, a privatização da CELEPAR está sendo examinada por diferentes instituições da República, justamente porque envolve temas sensíveis como soberania digital, governança de dados, transparência e interesse público.
Causa ainda mais estranheza que essas informações sejam desconsideradas por quem exerce o jornalismo. Espera-se que um profissional da imprensa consulte os documentos públicos produzidos pelo Tribunal de Contas, pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal antes de reproduzir como verdade absoluta a narrativa construída pelo Governo do Estado. O papel do jornalista não é validar discursos oficiais, mas confrontá-los com fatos, documentos e diferentes fontes.
Da mesma forma, merece atenção o tratamento dado ao programa Olho Vivo. Antes de ser utilizado como exemplo de modernização tecnológica, é preciso esclarecer que o projeto integra um conjunto de contratos que vêm sendo objeto de procedimentos de fiscalização e análise pelos órgãos de controle, juntamente com outros programas tecnológicos estaduais. Em um tema dessa relevância, espera-se que qualquer comentário público considere esse contexto, em vez de apresentar uma visão parcial dos fatos.
O papel do jornalismo não é defender governos nem campanhas de privatização. É questioná-los, confrontar versões, ouvir diferentes fontes e apresentar ao público todos os elementos necessários para formar sua própria opinião.
Por isso, convidamos o jornalista Eduardo Oinegue a conhecer com profundidade a realidade da CELEPAR, sua importância estratégica para a soberania dos dados públicos do Paraná, os reconhecimentos técnicos obtidos pela companhia e os diversos documentos públicos que hoje fundamentam o debate sobre sua privatização.
A sociedade paranaense e brasileira merece uma discussão baseada em fatos, evidências e transparência e não na repetição de discursos oficiais sem o necessário exame crítico.

Sindicato dos Empregados em Informática e Tecnologia da Informação do Paraná

Curitiba, 04 de agosto de 2026

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