A Copa do Mundo é, historicamente, um dos maiores símbolos de integração entre os povos. Durante algumas semanas, diferenças culturais, políticas e econômicas cedem espaço à paixão pelo futebol, aproximando nações e fortalecendo valores como convivência, respeito e solidariedade.
Entretanto, a edição de 2026 tem sido marcada por preocupações que vão muito além das quatro linhas. Relatos de dificuldades para obtenção de vistos, restrições de entrada para cidadãos de determinados países e obstáculos enfrentados por torcedores e delegações colocam em debate uma questão fundamental: até que ponto um evento global pode cumprir seu papel de integração quando parte do mundo encontra barreiras para participar dele?
O movimento sindical sempre defendeu que o esporte deve ser um instrumento de inclusão, jamais de segregação. Os princípios da igualdade, da não discriminação e do respeito à dignidade humana são valores universais que não podem ser relativizados em nome de interesses políticos, econômicos ou estratégicos.
Quando um país-sede recebe um evento da magnitude da Copa do Mundo, assume também uma responsabilidade perante a comunidade internacional. Não basta oferecer estádios modernos e infraestrutura adequada. É necessário garantir que atletas, trabalhadores, jornalistas, familiares e torcedores sejam tratados com respeito e tenham assegurado o direito de participação em condições justas e igualitárias.
A história demonstra que grandes eventos esportivos frequentemente são utilizados para projetar poder e fortalecer narrativas governamentais. Por isso, a sociedade civil, os sindicatos e as organizações comprometidas com os direitos humanos têm o dever de acompanhar criticamente esses processos, exigindo transparência, igualdade de tratamento e respeito aos princípios democráticos.
O futebol não pertence a governos. Não pertence a grupos econômicos. Não pertence a interesses geopolíticos. O futebol pertence aos povos.
A FIFA, os países-sede e todas as instituições envolvidas têm a obrigação moral e institucional de assegurar que a Copa do Mundo seja efetivamente um espaço de encontro entre nações, e não um ambiente marcado por exclusões, restrições arbitrárias ou discriminações.
Defender o acesso igualitário aos grandes eventos esportivos é defender um princípio que também está na essência da luta sindical: a valorização da pessoa humana acima dos interesses políticos e econômicos.
Porque, no final das contas, não existe Copa do Mundo sem o povo. E não existe democracia sem igualdade de direitos.
Diretoria Colegiada do SINDPD-PR
